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Viajar para os EUA com passaporte português: ESTA em vez de visto — e quando um visto ainda é preciso

Os portugueses viajam para os Estados Unidos ao abrigo do Visa Waiver Program: uma viagem de turismo ou de negócios até 90 dias exige uma ESTA, a autorização eletrónica de viagem, e não um visto. Quando esta autorização basta, quando é mesmo preciso um visto, quem fica de fora, quanto custa a ESTA e como pedir passo a passo.

A bandeira dos Estados Unidos da América: cinquenta estrelas brancas sobre fundo azul e treze faixas vermelhas e brancas.

Para a maioria dos portugueses, entrar nos Estados Unidos é uma questão de ESTA, não de visto: o Visa Waiver Program permite uma estada até 90 dias sem visto — desde que se tenha passaporte eletrónico e uma ESTA aprovada.

Bandeira nacional dos EUA (domínio público)

Os portugueses precisam de visto para os EUA?

Para férias ou uma viagem de negócios: não. Portugal integra o Visa Waiver Program (VWP) dos Estados Unidos, pelo que os cidadãos portugueses entram para estadas de turismo ou de negócios de até 90 dias sem visto. Em vez do visto, é preciso uma ESTA — o Electronic System for Travel Authorization, uma autorização pedida em linha antes de viajar. É o mesmo princípio do ETIAS que a UE e o espaço Schengen preparam para os visitantes que nos chegam, mas ao contrário: uma autorização rápida, ligada ao passaporte, e não um visto com entrevista.

O essencial a reter desde já é que uma ESTA não é um visto. É mais leve, mais barata e mais rápida — aprovada quase sempre em minutos, válida dois anos e boa para tantas viagens quantas quiser nesse período. Mas não é facultativa: sem ESTA aprovada, a companhia aérea não o deixa embarcar em Lisboa, no Porto ou em Faro. E não cobre tudo: assim que a viagem envolve trabalhar, estudar para créditos ou ficar mais de 90 dias, entra-se no território do visto.

Este guia percorre a ESTA de ponta a ponta — o pedido, o custo, a validade — e depois os casos em que um português precisa mesmo de visto, quem fica totalmente de fora da via sem visto, como é a longa viagem de avião e qual a melhor altura para ir. Para começar pelo destino, veja a panorâmica dos Estados Unidos e volte à autorização depois.

A ESTA, em resumo

Uma ESTA aprovada permite a um português permanecer nos Estados Unidos em turismo ou negócios até 90 dias por viagem, sem visto. Cobre férias, visitas a familiares, congressos, reuniões e curtas deslocações profissionais. É em regra válida por dois anos, ou até à validade do passaporte — o que ocorrer primeiro — e permite nesse período um número ilimitado de entradas, cada uma até 90 dias. Obtém-se depressa: a maioria dos pedidos é aprovada em minutos, mas convém contar com até 72 horas.

Duas coisas que não é. Primeiro, não é garantia de entrada — o agente da fronteira decide à chegada, tal como os nossos agentes nos aeroportos portugueses. Segundo, não serve para viver, trabalhar ou estudar: o Visa Waiver Program é para visitas. Não pode exercer trabalho remunerado, inscrever-se num curso com créditos ou fixar-se nos EUA com uma ESTA, e não pode prolongar uma estada de 90 dias nem mudar de estatuto já dentro do país.

Um pormenor que apanha muita gente de surpresa: o relógio dos 90 dias não corre só em solo americano. O tempo que passar no Canadá, no México ou nas ilhas vizinhas durante a mesma viagem conta para os 90 dias se entrou ao abrigo do VWP — um salto rápido além-fronteira e de volta não reinicia o contador. O registo I-94 gerado na entrada é o seu comprovativo oficial do tempo autorizado. Para a maioria dos portugueses que vão umas semanas, nada disto é problema — a ESTA resolve toda a viagem.

Como pedir a ESTA — passo a passo
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    Preparar o passaporte — um por viajante: Precisa de um passaporte eletrónico válido (os passaportes portugueses são-no há anos; o chip é assinalado pelo símbolo na capa), válido durante toda a estada — a validade da ESTA fica limitada pela validade do passaporte. A ESTA está ligada à pessoa, não ao bilhete: cada viajante precisa do seu passaporte e da sua ESTA — incluindo bebés e crianças. Conte, portanto, com um pedido por pessoa.
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    Preencher o pedido em linha — de preferência na reserva: O pedido faz-se no sistema oficial do governo dos EUA: dados do passaporte, contactos, plano de viagem e algumas perguntas de elegibilidade; uma só sessão trata da família inteira. Verifique cada campo com cuidado — um erro no número do passaporte ou no nome é a causa mais frequente de problemas à porta de embarque. Um serviço de apoio ao pedido pode preencher o formulário em português e rever os dados antes do envio, mediante uma taxa de serviço.
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    Pagar a taxa: A taxa oficial da ESTA é atualmente de cerca de 40 USD por pessoa — cobrada em dólares, pelo que o cartão converte para euros ao câmbio do dia (na ordem dos 35 €, consoante a taxa). Subiu de 21 USD no final de 2025, e o valor exato aparece no pagamento, no portal oficial.
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    Pedir com antecedência: A autoridade americana recomenda pedir a ESTA pelo menos 72 horas antes da partida — melhor ainda, logo ao reservar o voo. A maioria das autorizações chega em minutos; algumas ficam retidas para análise e demoram até 72 horas. Não deixe para a véspera.
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    Perceber a validade: Uma ESTA aprovada vale dois anos ou até à validade do passaporte e permite, nesse intervalo, um número ilimitado de entradas, cada uma até 90 dias. Se o passaporte for renovado ou caducar, é preciso uma nova ESTA.
Quando um português precisa mesmo de visto
  • Estada superior a 90 dias, ou prolongamento: O limite de 90 dias não se prolonga, e não é possível mudar de estatuto a partir dos EUA. Para uma estada mais longa, pede-se um visto de visitante B-2, que um funcionário consular pode emitir para uma entrada mais prolongada.
  • Trabalho — vistos H, L e O: Qualquer atividade remunerada ou produtiva para um empregador americano exige um visto de trabalho (H-1B para quadros qualificados, L-1 para transferências dentro do grupo, O-1 para aptidões excecionais). As viagens de negócios no sentido do VWP — reuniões, feiras, negociações — são permitidas; a prestação de trabalho no local não é.
  • Estudo com créditos — vistos F e M: Um curso com créditos numa instituição americana exige visto de estudante (F para o académico, M para o profissional). Um curto curso de línguas sem créditos pode caber no VWP — a partir do momento em que há créditos ou um grau, o caminho é o consulado.
  • Intercâmbio — visto J; imprensa — visto I: Au pair, estágio, estada de investigação ou docência convidada seguem o visto de intercâmbio J-1, com admissão prévia ao programa. E jornalistas, rádio, cinema ou outros meios em funções profissionais precisam de visto I — mesmo para curtas estadas e mesmo em regime independente; é uma das violações involuntárias mais comuns do VWP.

Quem não pode usar a ESTA — mesmo com passaporte português

Além do motivo da viagem, há uma segunda razão que fecha a via sem visto — e atinge também portugueses com passaporte impecável. Quem tenha estado na Coreia do Norte, Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria ou Iémen desde 1 de março de 2011 — ou em Cuba desde 12 de janeiro de 2021 — fica excluído do Visa Waiver Program e tem de pedir um visto de visitante B-1/B-2. Isto apanha mais gente do que se pensa: cooperantes, jornalistas, engenheiros ou viajantes que juntaram um destes países a uma viagem maior.

A segunda razão é a dupla nacionalidade: ter, além do passaporte português, a nacionalidade de Cuba, Coreia do Norte, Irão, Iraque, Sudão ou Síria exclui a ESTA — independentemente do passaporte com que viaja.

E a regra segue sempre o passaporte, não a morada: o que conta é o passaporte com que viaja, não onde reside. Quem tenha autorização de residência em Portugal mas viaje com um passaporte fora do Visa Waiver Program pede um visto de visitante, por mais anos que aqui viva. Cair numa destas regras não é uma proibição de viajar — é apenas a via do visto: um pedido B-1/B-2 através da Embaixada dos EUA em Lisboa, com o formulário em linha DS-160, marcação e entrevista. Conte com folga — as datas de entrevista podem estar a semanas de distância.

O voo transatlântico, a diáspora e as escalas

A TAP Air Portugal é a porta natural: liga Lisboa sem escalas a Boston, Newark, Nova Iorque (JFK), Miami, São Francisco, Washington e Chicago, com Los Angeles a juntar-se à rede. Boston tem um peso próprio: é a porta da numerosa comunidade luso-açoriana da Nova Inglaterra (Massachusetts e Rhode Island), tal como a Califórnia acolhe uma forte comunidade açoriana — e a visita a familiares move boa parte destas viagens. A Azores Airlines liga ainda os Açores (Ponta Delgada) diretamente a Boston. Consoante a costa, conte com cerca de sete a onze horas de voo.

Um ponto que surpreende muitos: os EUA não têm zona de trânsito internacional. Mesmo numa simples escala num aeroporto americano — a caminho das Caraíbas, do Canadá ou da América Latina — é preciso passar o controlo de fronteira americano e voltar a despachar a bagagem. Não há um «lado internacional» onde ficar. Trate da ESTA mesmo para uma escala.

A melhor altura para ir

O país é vasto e os climas muito diferentes, por isso a melhor época depende da região. O verão (junho a agosto) é a época alta dos grandes parques do Oeste — Grand Canyon, Yosemite, Yellowstone —, com dias longos e tudo aberto, mas também com enchente e preços no topo. A primavera (abril-maio) e o outono (setembro-outubro) são a melhor altura para as cidades e os grandes itinerários: tempo ameno, menos gente, tarifas mais em conta.

O inverno (dezembro a fevereiro) tem os seus trunfos: a Florida e o Sul da Califórnia ao sol, o esqui nas Montanhas Rochosas e uma Nova Iorque gelada e iluminada nas festas — mas o Nordeste e o Midwest são de facto rigorosos, a preparar em conformidade. Ajustar as datas à região, e não o contrário, continua a ser a melhor regra.

Depois da ESTA: destinos clássicos nos EUA
  • Nova Iorque: O primeiro contacto mais frequente com os EUA e um ponto de partida óbvio. Retrato da cidade e chegada em Nova Iorque, a região no estado de Nova Iorque.
  • Nova Inglaterra e a diáspora: Boston e o sudeste de Massachusetts (Fall River, New Bedford) e Rhode Island concentram a maior comunidade luso-americana — a razão de muitas viagens de visita a familiares e um bom capítulo de raízes numa viagem aos EUA.
  • Califórnia: Los Angeles e o Oeste: Costa do Pacífico, parques nacionais e a capital do cinema — muitas vezes o início de um circuito pelo Sudoeste. Mais em Los Angeles.
  • Florida: Miami e as costas: O destino de sol do inverno, com praias Art déco e a porta dos Everglades e das Keys. Cidade e chegada em Miami.
Perguntas frequentes sobre ESTA e visto para os EUA

Para férias ou negócios até 90 dias, não. Portugal integra o Visa Waiver Program; em vez do visto, precisa de uma ESTA aprovada e de um passaporte eletrónico. Um visto torna-se necessário se for trabalhar, estudar para créditos, exercer atividade de imprensa, imigrar ou ficar mais de 90 dias — ou se cair nos motivos de exclusão do VWP (certas viagens desde 2011, Cuba desde 2021, ou uma segunda nacionalidade de Cuba, Coreia do Norte, Irão, Iraque, Sudão ou Síria).

A ESTA é uma autorização de viagem em linha, rápida, para viajantes do Visa Waiver Program — sem entrevista, aprovada em geral em minutos, válida dois anos para estadas repetidas até 90 dias. Um visto (B-1/B-2 ou de trabalho) é um processo mais longo através de um consulado americano, necessário quando o VWP não cobre a viagem. Nenhum garante a entrada — o agente da fronteira decide à chegada.

Cerca de 40 USD por pessoa atualmente, cobrada em dólares — ou seja, na ordem dos 35 € consoante o câmbio. A taxa subiu de 21 USD no final de 2025, e o valor exato aparece no pagamento, no portal oficial. Um serviço de apoio acrescenta uma taxa de serviço moderada pela ajuda em português e pela revisão do pedido.

Sem a certeza de que a ESTA chega para a sua viagem, ou quer o pedido revisto e submetido em poucos minutos? Faça uma verificação rápida de elegibilidade e conte com acompanhamento.

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